PARTICIPAÇÃO DA AACS
na 14a Reunião da
Plataforma
Europeia das Entidades Reguladoras
(EPRA)
A 14ª reunião da EPRA teve lugar em Malta, de 26 a 29 de Setembro pp, a convite da Malta Broadcasting Authority.
Estiveram presentes para além de representantes da Comissão
Europeia (DG da Educação e Cultura) e Conselho da Europa (Divisão dos Media)
que tem estatuto de observadores permanentes, 87 elementos, representando 42
entidades reguladoras. O primeiro tema tratado, após informação do secretariado
sobre assuntos correntes, foi a regulamentação da publicidade na perspectiva da
próxima revisão da directiva Televisão Sem Fronteiras (TSF). A intervenção de
fundo esteve a cargo de Martin Hart, director do departamento de patrocínios do
ITC britânico, que falou sobre alguns desenvolvimentos nesta área, tais como
publicidade interactiva, publicidade virtual, sistema de écran dividido e
canais consagrados inteiramente à publicidade. Esta intervenção que foi sendo
sempre ilustrada gerou alguma polémica uma vez que não houve acordo sobre se
todos estes tipos de publicidade cabiam ou não na directiva.
Willemien Bax, subdiretora do BEUC
(Bureau europeu das uniões de consumidores) falou sobre a problemática da
comunicação comercial e as crianças, sob o angulo da protecção dos
consumidores. Gernot Schumann, comissário dos assuntos europeus do DLM alemão
apresentou sugestões concretas para alteração da directiva TSF. A maioria dos
membros que se pronunciaram mostraram-se favoráveis a uma simplificação das
regras existentes, sem, porém, ter sido encontrado um consenso sobre a abolição
de limites em matéria de duração ou restrição de publicidade em programas
infantis. Mas ficou a certeza que se é proibida a publicidade nesses programas,
os governos terão que os subsidiar independentemente de serem transmitidos em
canais públicos ou privados.
Os dois grupos de trabalho que mais
tarde trabalharam simultaneamente trataram dos acessos ao cabo e à TV digital e
à protecção de menores. O primeiro grupo, dos acessos ao cabo e à TV digital,
teve intervenções de Alberto Perez e Marcel Betzel. Foi dada uma panorâmica
sobre a cobertura do cabo tendo-se ficado com a ideia que raros são os países
que não a tem a cima de 50%. Os seus operadores têm, na maior parte dos países,
a obrigação de transmitir os canais públicos e os regionais quando os há. Todos
oferecem “pacotes” e curiosamente alguns operadores fazem “eleição” de
programas para compor os seus “pacotes”. A competência no cabo também divide os
paises: umas vezes são as telecomunicações, outras vezes são as entidades
reguladoras.
O segundo grupo, da protecção de menores, trabalhou com um documento elaborado por Alecos Evangelou que como presidente da Autoridade da rádio e televisão do Chipre, centrou e ilustrou a sua intervenção em casos do seu país. Mas as conclusões foram que a televisão não é tão prejudicial como alguns querem fazer crer, mas, antes pelo contrário, uma boa ajuda à escola que traz benefícios às crianças quando vistas sob a supervisão dos pais. E a sociedade tem aqui um papel a desenvolver: assegurar-se que a Tv ajuda as crianças e os jovens a desenvolverem-se saudavelmente.
O último dia foi preenchido com as intervenções dos representantes da Comissão Europeia e do Conselho da Europa que falaram dos desenvolvimentos recentes nestas duas entidades.
A próxima reunião ficou marcada para Bruxelas, a convite das duas entidades reguladoras e terá lugar na próxima primavera.
Lisboa, 12 de Outubro de 2001.