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Participação da AACS
no Congresso Infoética 2000
promovido pela UNESCO / Paris
- O signatário participou no referido Congresso,
que decorreu nos passados dias 13 a 15 de Novembro.
- O tema central da reunião, a terceira, com esta
envergadura internacional, promovida pela UNESCO sobre os desafios éticos, culturais,
jurídicos e sociais do ciberespaço, foi
- o Direito de acesso universal à informação
no século 21.
O encontro tinha como objectivos mais
específicos debater:
- o papel dos poderes públicos na promoção do
acesso à informação;
- a aplicação de "excepções legais"
aos direitos de autor na chamada sociedade de informação;
- a protecção da dignidade humana na era digital,
nomeadamente em termos de privacidade.
- Naturalmente, o interesse do signatário
incidiu predominantemente sobre o segundo e o terceiro objectivos.
Quanto ao primeiro, foi acentuada a absoluta
necessidade de uma acção concreta por parte da UNESCO:
- para ajudar a tornar mais equitativo o acesso à
informação, designadamente perante
obstáculos económicos , assim como nos
domínios da educação, da ciências, da cultura.
Quanto ao terceiro, foi sublinhada a premência:
- da adopção, por parte dos poderes públicos,
empresas privadas e sociedade civil na
generalidade, de medidas visando a protecção da
vida privada e a liberdade de expres-
são nas redes mundiais de informação.
- O secretariado da UNESCO vai enviar a todos os
Estados membros um documento visando o estabelecimento de uma Recomendação sobre o
Acesso universal à informação no ciberespaço, documento que será objecto de parecer
dos Estados.
Em Março de 2001, um comité internacional de
peritos redigirá um projecto a submeter à aprovação dos Estados na Conferência Geral
da UNESCO em Outubro desse ano.
- No contexto do Congresso de 13 a 15 de Novembro,
do que nele foi reflectido e concluido, e que decerto será estruturante da referida
Recomendação, as verificações/ponderações mais significativas do signatário são as
seguintes:
- a informação não é obviamente conhecimento,
mas o conhecimento não é ainda sabedoria; pelo que a sociedade de informação, não
sendo uma sociedade de conhecimento, está muito longe de ser uma sociedade de sabedoria;
- a informação é um "bem comum
mundial" que importa afirmar, proteger e regular, numa crescente perspectiva de facto
mundial;
- o conhecimento é, cada vez mais, uma
mercadoria;
- a "proliferação" da informação
multiplica as expectativas, designadamente em países subdesenvolvidos ou em vias de
desenvolvimento, expectativas para as quais algumas dessas sociedades não terão
resposta, o que pode, potenciando outras circunstâncias, levar a situações dramáticas;
- a disseminação electrónica da informação,
para além de ser uma questão tecnológica e económica, é um premente problema
sócio-cultural e ético;
- a questão nuclear da infoética é o
equilíbrio entre o controlo e a liberdade quer da produção designadamente de conteúdos
quer de acesso;
- a tendência lógica será a passagem do
conceito/prática "direito internacional" ( que sugere a relação entre estados
) ao conceito/prática "direito mundial" ( que sugere a
"mundialização" em curso); essa passagem corre o risco de ser lenta: a
"mundialização do direito" está "atrasado" em relação à
mundialização tecnológica e económica;
- o cerne de afirmação e defesa dos princípios
que queremos preservar está, por um lado, na educação, por outro lado, na
consciencialização e na mobilização do que poderemos definir como a "sociedade
civil mundial";
- estas questões, com relevo para a privacidade,
colocam-se de forma dramaticamente diferenciada nos diversos continentes, em função dos
níveis de desenvolvimento económico/cultural ( "A defesa da privacidade é um luxo
de sociedades ricas!", disse um delegado africano; ao que um delegado europeu
contestou: "Será, mas mesmo no seu país, admitindo que grandes faixas da
população não sabem o que é a privacidade, que muitos cidadãos não assumem a sua
privacidade e os inerentes direitos, as leis que a protegem obrigam as empresas,
nacionais, internacionais e multinacionais, e isso só pode ser positivo");
- no que concretamente se refere à Internet,
sublinha-se a vantagem da auto-regulação e a necessidade do desenvolvimento de
legislação às escalas nacionais, aventando-se a hipótese da criação de uma
autoridade de regulação supranacional; obviamente tudo isto implica consciência,
determinação e acções concretas por parte dos governos e da comunidade internacional.
O relator
( Artur Portela )
NOTA Encontram-se à disposição dos
membros da AACS, nos Serviços de Apoio os seguintes documentos:
- Lista dos Participantes neste Congresso;
- Conclusões dos seguintes workshops regionais
prévios:
- Europa ( Viena );
- Ásia ( Pequim );
- América Latina ( Rio de Janeiro );
- Estados Árabes ( Addis Abeba ).
- O estudo sobre "O papel dos poderes públicos
no acesso à informação...", de Elizabeth Longworth;
- O ensaio "Impacto das tendências mundiais
sobre o acesso universal aos recursos da informação", de Christine Maxwell (
Internet Society );
- "Resumo de intervenções";
- "A protecção da dignidade humana na era
digital", de Marc Rotenberg;
- "Direito ao acesso universal à informação
no século 21", de Zeev Segal;
- "A nova ameaça empresarial à liberdade de
expressão", de Simon Davis e Ian Brown;
- "A protecção da dignidade humana na
sociedade do ciberespaço", de Adama Fofana;
- "Direito e ética na sociedade mundial de
informação", de Philippe Quéau;
- "Dez mandamentos para proteger a privacidade
no mundo da Internet", de Hansjurgen Garstka
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