Seminário Internacional sobre Televisão e Audiências

 

 

CONCLUSÕES

 

 

2º Painel: Imprensa e Divulgação de Audiências

Os intervenientes interpretaram de uma forma abrangente, e não literal o mandato que constava dos tópicos para o debate.

A discussão alargou-se, assim, a áreas contíguas do tema, aprofundando-o e revelando contornos e alcances do maior relevo e interesse.

Apesar das suas diversas origens e formações e dos diferentes interesses defendidos, das várias intervenções, quer dos oradores, quer dos demais participantes, foi possível alcançar um alargado consenso relativamente a um núcleo essencial de questões:

1. Existe, na opinião pública em geral, e nos próprios meios de comunicação social em particular, que veículam os seus resultados, uma má imagem dos processos e métodos de realização das audimetrias.

2. Esta má imagem é consequência de

- elevado tecnicismo e menor transparência que rodeia a sua elaboração;

- deficiente formação de quem a transmite ao público;

- deficiente informação do público que a recebe.

3. Na origem desta falta de informação e de formação estão alguns preconceitos quanto

- à verdadeira natureza e objectivos das audimetrias tal como são realizadas;

- à não divulgação pública dos métodos utilizados e reconhecimento das margens de erro e de falibilidade;

- à confusão entre audimetria e audiências;

- à falta de uma preparação de base por parte da generalidade dos jornalistas e outros profissionais da comunicação social para interpretar os dados das audimetrias;

- ao relativo desinteresse a que, salvo raras excepções, a matéria tem sido votada pela comunidade universitária;

- ao facto de as audimetrias estarem a ser realizadas por uma única empresa e num quadro legal de autoregulação em que não existe controle democrático nem intervenção dos consumidores.

4. Com esta situação, só não serão eventualmente prejudicados os anunciantes, que deverão ser os únicos que sabem exactamente aquilo para que pagam.

5. Todos os restantes intervenientes são afectados, e, em particular, os consumidores, na medida em que a divulgação das audimetrias é uma forma de publicidade, que condiciona comportamentos, e, assim deveria obedecer aos critérios da verdade, objectividade, rigor e fidedignidade;

6. O caracter limitado, quanto ao seu objecto, à sua finalidade e ao seu alcance do sistema actual das audimetrias, deixa de fora uma mais profunda análise das audiências, daí resultando que

- existe uma larga margem de informação ao nível quantitativo não explorado nem tratado no sistema actual;

- existe a possibilidade de desenvolver o sistema actual para alcançar certos objectivos de natureza qualitativa;

- existe um largo campo para a análise comportamental das audiências e a interpretação sócio politica da sua divulgação, a realizar por entidades distintas, em sedes diversas e com distintos indicadores e diferentes instrumentos de análise.

7. Este último campo deverá ter como perspectiva fundamental a análise da ocupação do tempo social face à TV e aos novos meios de comunicação emergentes da sociedade de informação, suas consequências ao nível da cidadania, da participação ou da exclusão sociais, e seus efeitos em termos económicos e culturais, relevando da noção de serviço público.

8. Para uma aproximação a esta realidade será necessário

- definir adequadas metodologias de recolha e análise de dados

- formar técnicos especializados para a sua execução

- repensar o quadro legal e institucional do seu funcionamento

- delimitar o âmbito da sua actuação

- definir o quadro de fiscalização e controle da sua actividade

- informar devidamente o público e formar adequadamente quem seja encarregado da sua divulgação

9. Para este objectivo será necessário concertar esforços ao nível da vontade política, da disponibilidade académica, da participação dos agentes económicos interessados, do empenhamento das organizações de consumidores e da colaboração activa dos meios de comunicação social.

10. Concluindo: independentemente da consideração do rigor técnico e cientifico do processo e dos métodos de realização das audimetrias em Portugal, o sistema existente carece de ser melhor conhecido e divulgado, na sua natureza, nos seus objectivos e no seu alcance; apresenta potencialidades, quer ao nível quantitativo, quer ao nível qualitativo, que podem ser exploradas e desenvolvidas; tem limitações que abrem o campo para uma abordagem de natureza e finalidades diversas, em aspectos qualitativos de análise das audiências e das suas causas sociais, que pressupõe um novo enquadramento legal e uma redefinição institucional e funcional.

 

 

O Relator

 

a) Pegado Liz

Membro da AACS