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Seminário Internacional sobre Televisão e Audiências
CONCLUSÕES
3º Painel: Audiências e Programação 1. Audimetria ou audicracia eis a questão latente em todo o painel e nas intervenções que nele foram produzidas. Qualquer reflexão sobre o binómio audiências/programação não poderá iludir aquilo que vai pulsando a montante e a juzante do mero exercício estatístico, em particular a pressão que a procura televisiva exerce sobre os diversos serviços de programas e, vice-versando, a influência que estes exercem sobre o comportamento dos consumidores. Referiu-se, exemplarmente, que a audimetria dita toda a existência futura de um programa, qual sentença implacável de vida ou de morte, ainda que, para alguns, sob a caução do grau de satisfação dos espectadores. Assinalou-se, por outro lado, que ela pode constituir um utensílio estratégico para a formatação do próprio mercado, através da segmentação do público. Face a estas duas cracias, cuidou-se aqui, sobretudo, do efeito modulador que os espectadores, com toda a heterogeneidade que os caracteriza, exercem sobre os programadores. Por isso a criação de produtos televisivos específicos, o endereçamento da oferta, com desvitalização do elemento agregador da televisão generalista. "Faço zapping logo, existo". 2. Mas a escolha do indivíduo, longe de representar um acto de soberania, pode assemelhar-se a um desfilar sisífico perante as prateleiras dos hipermercados electrónicos. A multiplicação dos canais de T.V. nos E.U.A. e na Europa não terá sido acompanhada, contrariamente às expectativas de muitos, de uma verdadeira diversificação dos conteúdos ali disponíveis. Será a televisão, afinal, um dispositivo técnico de venda de audiências a anunciantes? Ou será ainda possível convocar padrões éticos, de rigor e exigência no fundo, toda a galáxia de referências fundadoras do conceito de serviço público para obstar à mercantilização do espectador? A tarefa não se afigura fácil, se considerarmos o debate suscitado em torno da definição do que é a qualidade (e de como deve ser medida) nos programas de televisão, ou à volta das práticas de contra-programação ou desprogramação televisivas. Entre a crença nas virtualidades auto-disciplinadoras do mercado e o desejo de uma intervenção reguladora dos poderes públicos, as posições dos oradores e demais intervenientes revelaram dilemas e hesitações que percorrem horizontalmente todo o tema "televisão", e não apenas a sua componente audimétrica. 3. Em qualquer caso, há que reconhecer às audiências, qualquer que seja o seu alcance, um certo poder de escrutínio da televisão. O que não permite, todavia, fazer delas um instrumento pacífico de avaliação sobre a qualidade da programação. O mercado formula juízos de oportunidade ou conveniência, não de valor. Juízos circunstanciais, não ontológicos. 4. Mas esse poder da audimetria vai decerto mais longe, para se repercutir, se sabiamente utilizado, na promoção dos interesses dos consumidores ou, como alguém procurou precisar, dos cidadãos -, através do enriquecimento do leque de conteúdos e do reforço do pluralismo. Não encara a Comissão Europeia a audimetria como elemento de definição das quotas de mercado dos diferentes operadores/agentes económicos, para efeitos da observância da legislação comunitária de defesa da concorrência?
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